domingo, 16 de agosto de 2009

Marina Silva e a noção de tempo

Por Jung Mo Sung*

A possibilidade do lançamento da candidatura da senadora Marina da Silva para presidente na próxima eleição está agitando o cenário político brasileiro. Todos concordam que é a grande novidade do momento na corrida eleitoral porque quebra a bipolaridade PT-PSDB, Dilma-Serra. Outros vêem mais longe e apontam para o fato de que ela traz para a mesa principal da discussão política algo de fundamental para o futuro do país e da humanidade: a noção de desenvolvimento sustentável.

Está na moda hoje falar em "verde", ecologia e sustentabilidade. Como todas as palavras de moda, essas também acabaram se impondo sobre os discursos de pessoas - especialmente dos políticos - que estão mais interessados em acompanhar a "onda" do momento, em agradar o seu público, do que realmente modificar o seu modo de ver e agir.

Há também grupos e pessoas que radicalizam o discurso de "defesa da natureza" e são contrários ao primeiro termo da expressão: desenvolvimento. Para eles, a noção em si de desenvolvimento deveria ser abandonada porque estaria irremediavelmente comprometido com a visão industrial do século XIX-XX e com o antropocentrismo moderno que pretenderia dominar e explorar a natureza em função dos interesses humanos, e assim estaria em contradição frontal com a defesa do meio ambiente. Defendem uma economia que não busque nenhum tipo de crescimento ou desenvolvimento, mas que seja fundada somente na noção de sustentabilidade.

Entretanto, se olharmos a realidade social-ambiental, não a partir de uma visão geral e abstrata que considera o meio-ambiente e os seres humanos em totalidade, mas sim a partir de realidades dos pobres, podemos perceber que há muitas regiões em que o desenvolvimento econômico-social é fundamental para permitir que pessoas superem a situação de miséria ou de pobreza. É claro que esse desenvolvimento não pode ser entendido como um crescimento econômico que destrói o seu meio-ambiente e, com isso, as condições que permitem a reprodução da vida. Daí a importância de pensarmos a expressão como um todo: "desenvolvimento sustentável".

Há uma questão fundamental no "desenvolvimento sustentável" que não é muito discutida hoje, a noção de tempo. É mais comum debatermos a partir da noção do meio-ambiente, que já está presente, por exemplo, em Marx quando ele fala que o capitalismo, com a sua lógica de acumulação do capital, destrói a natureza e os trabalhadores, que são fonte da sua própria acumulação.

A noção de sustentabilidade pressupõe uma possível contradição entre o modo como as coisas funcionam hoje, no presente, e a situação projetada do futuro. Isto é, o fato de que o sistema econômico está funcionando bem - na perspectiva do sistema - não garante que estará no futuro. Isto é, o futuro pode ser pior do que o presente, porque o atual sistema não é sustentável a médio e longo prazo.

Essa idéia de que o futuro pode ser pior assusta (quase) todas as pessoas. Por isso, ideologias que prometem que o futuro está garantido (seja porque o progresso sempre caminha para frente, o mito do progresso, ou porque "Deus está conosco e não vai falhar" ou então porque "as energias do universo conspiram a favor da ‘vida’ e nos levará ao futuro pleno", etc.) sempre têm "ibope" alto. Enquanto as pessoas preferirem se esconder atrás dessas ideologias (seculares ou religiosas), a importância da proposta de um desenvolvimento sustentável não será entendido na sua profundidade. Ela poderá ser repetida até exaustão nos discursos ou debates, mas no fundo haverá nessas pessoas uma "certeza" íntima que no final tudo vai dar certo.

A possível candidatura da senadora Marina da Silva coloca na mesa da discussão político-cultural-religiosa duas mudanças profundas em relação à cultura moderna: a) o amor à vida que floresce e se expressa na natureza (onde estão incluídos os seres humanos); b) uma nova visão do tempo e de história, que não seja linear e nem pré-determinada, e inclua a possibilidade real de que o modo como vivemos o presente pode tornar inviável o nosso futuro. Isso exige também uma nova visão da vida humana e de Deus. Um ser humano que é realmente responsável pelo seu presente, seu próximo e o meio-ambiente, e futuro. E uma imagem de Deus que se revela no amor-solidário e que apela a essa solidariedade e responsabilidade frente ao próximo e ao meio-ambiente, mas que não garante nenhum resultado, muito menos um "final feliz" para a nossa história humana.

Mudanças profundas na cultura humana não são perceptíveis facilmente. Elas são resultado de muitas "ondas superficiais" que alteram aos poucos o movimento e a configuração das correntes mais profundas do inconsciente coletivo e da cultura. O impacto da possível candidatura da senadora revela sua chance e sua aceitação na sociedade. O que parece ser um sinal muito positivo de uma dessas mudanças profundas.


* Professor de pós-graduação em Ciências da Religião

______________________________________________________________

Sim, eu sou uma dos entusiastas com a possível candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente (2003-2007) Marina Silva, que saiu de seu cargo para chamar atenção para o desmatamento na Amazônia e para o fato de que ela estava sendo bloqueada por forças do governo para tomar medidas adequadas.
Alguém de trajetória invejável, digna, sem apego a cargos políticos que não fazem/podem fazer sua função de maneira correta.
Tá rolando boatos de que o Cristóvam Buarque pode ser seu vice. Para meu completo deleite e delírio.

Desenvolvimento Sustentável e Educação de Qualidade, juntos, numa mesma chapa. Uma oportunidade de ver o Brasil crescer (ao menos elevar o nível político nas próximas eleições).

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Adeus, Michael.



Acho q quem costuma ficar de olho em notícia já tá muito cansado de ouvir falar da morte do Michael Jackson.
Eu não sei se minha ficha caiu ainda. Eu estava com o Leão, e ficamos sabendo por msn.
Fiquei em choque e ainda estou. Lágrimas já ameaçaram rolar do meu rosto, mas eu sinto aquela sensação de quem diz "Michael não morreu", como Elvis.
De lado as esquesitisses dele, não há quem viveu os anos 70 e 80 consciente que não saiba pq ele é chamado de "rei do pop".

Eu não vivi. Mas quando eu vejo o trailer de "Thriller", e ouço "Billie Jean" ou "Beat it", não ponho em dúvida.

Para refrescar a memória:

Trailer de Thriller completo


Vale a pena ver:

Presos que o homenagearam em 2003, repetem a dose.

Moonwalk de repente. Uma cena que está se repetindo esses dias.



Momento brega: que os tormentos do final da vida dele tenham sumido.

Eu prefiro ficar com a imagem do belo negro que ele era na época de Thriller.


sábado, 13 de junho de 2009

Coral ExTraordinário


Para reflexão.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Youtube e o audiovisual

*Limpa as teias daqui*

Não é novidade para ninguém que o Youtube é uma revolução de mídia. Um site que transformou a divulgação de vídeos na internet uma coisa fácil, prática e, portanto, popular.
As diferenças de uma era pré-youtube e a era youtube na mídia são evidentes.
Soldados gravam com seus celulares os horrores de uma guerra. Famílias mostram as dificuldades por que passam depois de um desastre. Fãs postam filmes, desenhos, séries shows e tributos de tudo que gostam. Pessoas que gostam de fazer vídeos criam suas próprias séries caseiras. Estudantes de audiovisual publicam seu trabalho na esperança de um olheiro o ver.

Não iremos ignorar que o Youtube não é a cada da mãe Joana, e há censura. As vezes válida, às vezes ditatorial (a pedido de empresas ou Estados, como o pedido de Israel de tirar os video do sofrimento palestino quando eles invadiram Gaza este ano).
De fato, se fosse pela turma do Google, os espaços google seriam locais de informação democrática e anarquica. Mas o mundo não é Google.

Se eu fosse selecionar um site favorito, certamente seria o Youtube. E olha que eu nem sou uma grande usuária. Tem gente que passa dias e dias. Mas ele é o que mais me dá prazer, e o que a sensação de surpresa e satisfação são mais constantes.
Existem agora outros sites que hospedam vídeos. Alguns de videos em qualidade melhor e recursos mais sofisticados. Mas o Youtube, por ser mais popular, é sem dúvida o mais visto e tem um acervo invejável.

Tudo isso porque hoje eu tive um puro deleite com o que se encontra no Youtube, novamente.
Se trata de um rapaz que está tentando ganhar a vida, e fez uma ultra mega produção para tentar se por em evidência, agora que acabou de se formar em Audiovisual pela Columbia College of Chicago.
Ele criou um claymation (uma técnica semelhante ao stopmotion- de O estranho mundo de Jack e aA fuga das Galinhas-, mas feita de argila, que é mais fácil e menos sofisticada de trabalhar) do último livro de Harry Potter, Relíquias da Morte - ou Deathy Hallows.
Com cerca de 4h20 de filme, ele reproduziu o livro inteiro, com algumas adaptações e uma fidelidade a se ensinar para a Warner Bros.
As tosquices da técnica e da produção amadora talvez entediem alguns, mas, do ponto de vista que ele fez sozinho e que o esforço em tentar fazer o melhor possível é evidente, até a mão aparecendo para segurar a vassoura "voadora" (capítulo 5, para quem quiser rir) é encantadora.

São 26 pedaços no Youtube. Infelizmente, só tem inglês sem legenda. Confiram:
- Primeiro episódio
-O canal do cara

POr enquanto, eu vi até o episódio 6. Minha avaliação do trabalho em si:
O ponto alto até agora: transformar o pedaço de espelho em algo dado no testamento de Dumbledore, já que no quinto filme da Warner o espelho foi ignorado, e é muito importante no final.
Ponto baixo: Não sei quantos amigos ele tem, mas as vezes confunde quem está falando porque algumas vozes estão muito iguais, sendo evidentemente ele quem faz a maioria. Além disso, a amiga dele que faz algumas das vozes femininas tem um sotaque americano de irritar (como uma amante do acento britânico, é demais para mim aguentar não só um Harry Potter de vozes americanas, mas também uma Hermione que veio do Texas).

O rapaz, que só se identifica como Ryan no perfil do Youtube, é um exemplo do tipo de coisa que o Youtube permite.
Não estou sendo nada original nessa afirmação, mas o youtube revolucionou a maneira como se vê e faz vídeo. E está forçando empresas a saberem se adaptar e aproveitar disso.
É um alcance de amplitude sem tamanho. E perspectivas inimagináveis.
Nunca foi tão saboroso e democrático trabalhar com o Audiovisual.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Entreatos

A vida anda corrida e creio que o próximo post da História do Cinema só para o meio de dezembro...
Mas gostaria de reforçar a idéia do título, q diz "leve", ou seja algo básico, para introduzir, mto à la wikipédia, com um pouquinho de análise, senão não era Julia.
A minha idéia é só contar uma evolução, com os marcos mais óbvios. Logo, não estou citando mto filmes e jeitos de fazer cinema q marcaram.
Fiquei mto "cabrera" com isso desde a semana passada, pq, em nosso estudo sobre a busca pela identidade nacional do brasileiro, na facul, o grupo q se apresentou fez do Zé Carioca... E, bom, isso é na época de 30, e o Mister Disney, ignoremos suas ideologias, era de fato um mestre da animação, e eu nem o citei aqui.
Não faço curso de cinema, nem sou o Rubens Ewald Filho. Só gosto de cinema, e de analisá-lo, segundo meus limites.
Isso é hobby e não me exijam...

Garantido meu escudo contra críticas (q não são escritas, mas pensadas), vamos fazer valer esse post com um link de uma votação elaborada pela revista Empire com os 100 maiores personagens do cinema.

Essa lista tá bem esquisita, com personagens marcantes, tipo o ET no meio da 70º posição, e o protagonista de Duro matar em 12º. Foi eleita pelo povo internético, mas ainda sim...
Não nego quem está na lista, afinal, gostos e gostos, mas algumas posições são surpreendentes (e um pouco excessivamente divergentes com senso comum).
Claro q o Gollum, o Bond do Sean Connery, o Hannibal do Anthony Hopkins e Indiana Jones ao menos merecem seus 13º, 11º, 5º e 6º lugar, respectivamente (talvez até melhor). Mas vc também não acha um exagero o Hans Solo (Star Wars) estar no 4º lugar de TODO O CINEMA, ou mesmo o 1º lugar estar para o personagem de Brad Pitt em Clube da Luta, deixando o Darth Vader em segundo?
Neo-sem-sal de Matrix na frente de Forest Gump? Se ainda fosse o vilão! (ou nem isso...)
E Mary Poppins e Harry Potter no meião (e o já citado ET quase no fim, o que para mim é o cúmulo!), atrás de tipos piegas de ação dos anos 90?
(A moça de Alien não merece a nona posição, pelo amor de Deus!)

Bom, ao menos a lista gera discussão (e talvez te introduza a filmes que você não viu... Bom para anotar no caderninho!). E para vc? Quem são os 10 maiores personagens do cinema?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Uma Leve História do Cinema - Parte II

Vamos continuar, enquanto meus amigos deixam este blog às moscas.

Para a história do cinema, nós temos uma tragédia com relação aos filmes mudos: mais de 90% da produção à época se perdeu, pelas más condições em que eles foram deixados e - vejá só - porque a produção das películas tinha um produto químico, o nitrato de prata, que é caro, fazendo com que seus produtores derretessem os trabalhos para extrair o metal (e obter GRANA). O pragmatismo sempre vence a arte. Fikdik e não se iluda.

Obviamente que o crescimento da indústria do cinema hollywoodiana, como todo crescimento industrial, trouxe um investimento para se desenvolver técnicas melhores, especialmente uma muito ansiada: a sincronização de som com imagem. A coisa foi engatinhando, e um pouco antes da década de vinte, eu já li que se gravara som - entenda, trilha - para acompanhar o filme, sem precisar de orquesta. Era meio irregular e ocasionalmente tinha problemas, contudo, era um passo. Mas, curiosamente, o wikipédia não fala disso e já vai partindo para os "finalmentes".
E os "finalmentes" se trata de uma revolução que todos buscavam, mas os fiascos nem saiam dos estúdios. Até 1926, quando a Warner Brothers conseguiu criar o Vitaphone (um sistema que para nós seria piada chamar de revolucionário, porque não passava de uma gravação de som em disco). Confesso que nem sabia dessa parte, deve ter ficado num alvoroço interno de Hollywood pela descoberta. O que o povão conheceu mesmo foi o revolucionário The Jazz Singer (um pedaço no maravilhoso you tube. Ninguém cita, mas como você pode perceber, é um branco pintado de negro... ê, segregação... ¬¬". Mas, sejamos justos: o Al Johnson, o ator, era pró-negros. Além da escolha do estúdio, não há racismo no papel). E não me pergunte porque que a imagem tem um logo da MGM) , do mesmo estúdio, em 1927. O filme era um musical (!!!), com diálogo, tudo sincronizado, embora com partes totalmente mudas. O The Lights of New York, também da Warner, em 1928, é que seria completamente sincronizado, som e imagem, do ínicio ao fim.

Antes de falar de evoluções, fins e "mundo à fora", vamos sair da fantasia.
O filme falado não era uma unânimidade de gostos. Uma linda ironia é uma declaração de - advinhe? - um dos "Bros" Warner, o Harry, em que ele disse, em 1927: "Who the hell wants to hear actors talk?" (Quem diabos quer ouvir os atores falarem?). Não sei qual é o contexto dessa frase exatamente, mas pela data e o seu conteúdo, podemos pensar: Nem todos os Warner queriam o cinema falado e havia uma repulsa por ouvir diálogos.
Não sei se essa repulsa do Harry era a mesma que é retratada em Dançando na Chuva (aliás, dica: veja este filme! Ele não é sobre um homem que gosta de dançar na chuva, ele é sobre atores e produtores de cinema mudo que tentam se adaptar ao cinema falado, não sem antes muita resistência). No filme, o pessoal que não queria fazer cinema falado dizia que o cinema perdia sua essência com os atores falando. O cara não disseca uma tese sobre isso, mas creio que, realmente, o cinema como eles conheciam perderia um pouco da sua essência, porque recursos que se usam no mudo, ficariam ridículos no falado (especialmente de roteiro e jogo de câmera); maneiras de se retratar no mudo, não precisam ser usadas no falado; e, claro, o que se é usado no falado não se pode usar no mudo (dã).
Coisas imbecis, como closes exagerados no rosto, no mudo; uma ligação muito maior do cinema mudo com o teatro, que se usa de uma atuação mais espalhafatosa e corporal ( oque gera uma inadaptação de alguns atores ao cinema falado...); e talvez rolasse um senso de ridículo por gravar a atuação em voz (algo difícil da gente pensar, mas que talvez para eles, acostumados ao ar fotográfico do cinema, fosse uma consideração plausível)...
Bom, o fato é que existia um pessoal "xiita" que não queria o cinema falado. Ele acabaria com cinema como eles conheciam, e eles não queriam isso. Pena para eles, porque o cinema como eles conheciam realmente acabou.

E foi rápido! Tirando dois filmes de Chaplin posteriormente, Hollywood viu seu último filme mudo, O Beijo, lançado pela MGM com Greta Garbo no elenco, em 1929!
Para o resto do mundo (leia-se, praticamente, Europa), o processo foi mais lento, devido ao caos econômico não só ainda da recupeção da Primeira Guerra, como pelo maldito Crash de 29, que, surpreendentemente, teve menos efeitos em Hollywood do que se imagina. Hollywood já estava num ponto que era praticamente auto-sustentável. Seus filmes davam o dinheiro para fazer outros filmes... Isso em pouco mais de dez anos, heim!
E 29 foi um grande ano para o cinema. Não só porque bons filmes falados pipocavam, mas porque é o ano de criação do Oscar, a primeiro e até hoje a mais famosa premiação do cinema. A primeira premiação foi totalmente diferente do que conhecemos hoje. Os vencedores já haviam sido divulgados há meses, a cerimônia foi uma banquete com 250 pessoas, em que se podia comprar um ingresso por 5 dólares, eram 12 categorias, com MUITOS prêmios especiais e critérios diferentes de escolha, como, por exemplo para melhor ator, em que se analisava a obra do ator durante o ano, e não sua atuação em um filme. Além disso, o júri eram cinco figurões de Hollywood, não a" festa democrática" atual, em que todos que foram indicados uma vez tem direito ao voto para sempre. O cinema mudo, obviamente, só levou prêmios nesse primeiro ano, já que depois se parou de produzí-lo.

Ter cinema falado causou um vício em Hollywood: as produções musicais, especialmente ligadas a comédia. O pensamento era meio "eba! Agora temos som! Vamos explorar ao máximo!". E exploraram, até demais. Me arrisco a dizer que mais da metade dos filmes que sairam na década de 30 eram musicais, ou tinham algo de musical. Dança, música, belas vozes, belos rostos... Era uma fórmula que provavelmente agradava o público. E como música sempre é uma coisa que marca, se for boa, acredito que o "merchan" deu muito certo por um tempo, mas devem ter encontrado um pouco da sua decadência na repetição da fórmula e no combate de outros filmes que investiam muito na qualidade de seu roteiro, o que deve ter atraído o público e jogado seu interesse pelos musicais para escanteio.
Obviamente que os musicais não eram as únicas produções. Hollywood estava entusiasmada em produzir filmes históricos (cof.. cof... EUA, História, distorção... cof, cof...), biblícos, de gangster, ficção científica/ terror, romance, western... Tudo, para todos os gostos. Nem sempre com qualidade.

Falando em qualidade, ao mesmo tempo que Hollywood produzia filmes aos montes em seus grandes estúdios, o lado B também estava em plena ativa lá. O povo que não tinha contato com ninguém, ou não tinha um rostinho ou uma voz bonita, ou não estava afim de ultrapassar barreiras éticas e morais para conseguir o que quisesse, ficava na periferia da produção, com seus estúdios fundo-de-garagem, geralmente montando filmes com a qualidade dos filmes escolares que se faz atualmente (ou pior...rs...).
Hoje em dia, é claro, ainda há um lado B em Hollywood. Que na verdade tem duas vertentes: os filmes independentes produzidos, geralmente, por empresas de atores/diretores de sucesso, que costumam fazer ótimos filmes. E o lado B do B, que tem raiz nesses da década de 30/40, mas que só ficaram com a produção pornô como um investimento para poder pagar as contas no fim do mês (e também por um gosto, para a maioria dos que produzem esse material trash).

Bom, para a próxima parte fica o cinema em cores, a época de ouro de Hollywood e sua decadência.


Curiosidades:

- Meu querido Hitchcock produziu o primeiro filme inglês falado, Blackmail.
- O nome "Oscar" para o prêmio da Acadêmia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos (ainda bem que tem um nome menor! Ufa! Se bem que os americanos chamam de "Academy awards" algumas vezes, o que é válido também), especula-se, tem duas origens: uma viria de um comentário da secretária-executiva da instituição, Margareth Herrick, de que o prêmio se pareceria com seu Tio Oscar, que teria sido ouvida por um jornalista, que a publicou, e a piada deve ter pego. A outra possibilidade teria vindo de Bette Davis, que chamava o prêmio assim porque lembrava seu primeiro marido.
- O Oscar é feito de estanho, banhado a ouro de 16 quilates. Não custa tanto quanto pode se pensar, cerca de uns 200 dólares, mas o valor simbólico faz o "valor agregado" ir lá para cima... Para se ter uma idéia, em 1993, o prêmio de melhor atriz de Vivien Leigh (ela nasceu na Índia, sabia? Me espantei!) por seu papel em ...E o Vento Levou foi leiloado por 562 mil dólares. Fico imaginando um leilão, daqui há uns 50 anos, do prêmio da Meryl Streep por A escolha de Sofia... Quanto será que daria? Se eu fosse rica e frívola, pagava quantos milhões pudesse.
- O Oscar sempre foi cavaleiro careca, semi-nu, coberto com pudor apenas por uma espada. Mas o seu material, durante a segunda guerra, foi alterado brevemente por gesso banhado a ouro, numa política de economia de metais promovida pelo governo americano em nome da sustentação bélica. Quem recebeu o prêmio de gesso pôde trocar pelo bonitinho de estanho e ouro no pós-guerra.
- A gälere européia, no meio de seus problemas, fazia mais filmes políticos durante a década de 30. Na França, contra o nazismo. Na Alemanha, para promover o nazismo. Na Itália, para promover o fascismo (ao menos os divulgados). Na Rússia, para promover o comunismo... Na Inglaterra, a coisa era mais heterogênea, com uma influência hollywoodiana, mas muito voltados a fimes sociais.
- E, quanto a nós... Engatinhando com nossos ricos e progressista empresários... E sendo abocanhados culturalmente pela política de Boa Vizinhança americana. Nossa cinema só evolue mais para frente, embora a exportação da Carmem Miranda date dessa época.
- O site do Oscar tem uma galeria com posters da premiação. Eu sei que é aleatório, mas eu achei fascinante, apesar de não ter todos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Uma Leve História do Cinema - Parte I

Nosso blog está quase virando lugar de resenhas sobre cinema. Rs...
Exageros à parte, tenho mais um post sobre a sétima arte para vocês.
Mas dessa vez, eu vou brincar com duas coisas que mal gosto: cinema e história. E será uma série, em que eu prevejo 4 posts, incluindo esse aqui.
Informação cultural de "forma informal" ;-D

Não vai ser um simples copia-e-cola do wikipédia. Resumirei o que tem lá, acrescentarei coisas que eu sei e darei minha opinião.
O Cinema só pôde ser criado com a inveção da fotografia, claro, como vcs devem saber. A verdade é que o cinema não passa de várias fotos por segundo (24, no padrão atual, o suficiente para nossos olhos não perceberem), sequenciadas, como a gente costuma ver na produção de desenhos. Graças a wikipédia, descobri a data clara, que eu só sabia pertencer ao final do século XIX para o primeiro cinematógrafo: 1885. Na verdade, a data é um registro da primeira projeção pública (e paga) dos irmãos franceses Lumière (imagem ao lado), seus inventores. Eram 10 filmecos de 40, 50 segundos cada, com cenas do dia-a-dia.
O primeiro passo do cinema foi esse: documentários, registros do dia-a-dia, como faziam as fotos, só que em movimento. Material científico, segundo os Lumière.
Algo que eu não sabia e li no wiki é que já havia outros projetores (ele cita de uns alemães e o Thomas Edison, que, claro, os americanos consideram como o verdadeiro inventor), mas aparentemente sempre há na história das invenções protótipos anteriores aos que fizeram sucesso e serviram de base às tecnologias desenvolvidas... Telefone, avião etc foram assim também...
George Méliès, um mágico ilusionista francês, quando demonstrou seu interesse em comprar um dos cinematógrafos para usar como entretenimento foi avisado pelos Lumière de que não daria certo. Mas Méliès sabia o que estava fazendo, e foi o primeiro a fazer ficção com os filmes, introduzindo efeitos especiais, usando edição (O video mais antigo que encontrei é esse de 1899. Assistam também esse, que é o mais prestigiado - e incrivelmente simples e encantador: imagine magos cinematográficos em 1902 (tem uma narração em francês que não descobri se é original. Se for, ela era dita ao vivo). Gente, Youtube é a maravilha da comunicação do sec XXI).
A onda de fazer filmes como Méliès se espalhou por toda Europa e EUA.
O Cinema reconhecido como arte, porém, veio especialmente com David Griffith (à esquerda), americano que estabeleceu uma linguagem própria para o cinema.
Estamos falando aqui dos primórdios das técnicas cinematográficas para transmitir emoções e sensações mesmo sem dizer nada. Jogo de luz, a brincadeira do contraste entre preto e branco, ângulo da câmera, movimento de câmera, expressão dos atores (exageradas para o conceito atual, mas mais contidas do que a do teato), cenários completos, a trilha sonora clássica que acompanhava praticamente o filme inteiro (lembrando que no começo era tocada ao vivo, tornando a ida ao cinema um divertimento dois-em-um), o modo como os escritos apareciam na tela... Tudo era planejado, tudo dava trabalho, tudo compunha a arte.
(A primeira parte do filme mais famoso e marcante de Griffith, Intolerance, pode ser vista a aqui. São cinco. Não vi direito, mas, pelo que entendi no wikipédia, é racista. Abafa e aprecie só a arte da direção).

O poder do cinema americano só se destacou depois da primeira guerra mundial, quando França e Itália, as maiores produtoras de então, estavam arrasadas. Houve particular aumento de produção quando os cineasta e empresários descobriram que uma certa região no oeste americano, Hollywood, tinha impostos muito mais aprazíveis dos que os de Nova York, um clima favorável de poucas chuvas e largo espaço para locações. Sob estas condições, desenvolveu-se o cinema dos grandes estúdios por lá. Estúdios em geral fundados por ricos judeus, e que duram até hoje e continuam no (e praticamente são os que compoem o) ranking dos mais conceituados, como a 20th Century Fox, a Paramount, a Universal, a Warner e a MGM.

No próximo post falarei da revolução do cinema falado. Por enquanto, só digo que, na Europa, o conceito de arte para o cinema foi mais explorado, como o impressionismo francês (não está claro no wiki, mas creio que brinca com formas não-fiéis a realidade no cenário, e talvez nas próprias imagens que dão forma ao filme, bem como um jogo de luz e movimentos próprios do estilo) , o expressionismo alemão (com seus cenários e personagens distorcidos, fortes maquiagens, uso de recursos de luz e de tom da fotografia etc... Aliás, esse influenciou muito os filmes de terror e suspense hollywoodianos, segundo o wiki) e o surrealismo espanhol (situações e roteiros amalucados, meio nonsense). Em Hollywood, o contexto de grandes estúdios que competiam entre si deu à "Meca do Cinema" uma característica de fábrica de filmes e estrelas, e o início daquele glamour mítico que até hoje persiste, embora banalizado.



Curiosidades:
- O filme australiano A História de Kelly Gang, de 1906, é considerado o primeiro longa metragem, com 70 min. Geralmente os filmes tinham de 10 a 15 min até aquela época.
- Um documentário em inglês feito pela TCM sobre cinema mudo e história do cinema: Partes: um, dois, três, quatro e cinco (Deêm uma olhada nos documentários relacionados também, parecem muito interessantes).
- David Griffith era ligado a Ku Klux Klan.
- A MGM se formou de dois estúdios: de Samuel Goldwyn e Louis Meyer.
- Em Life of an American Fireman, de 1903, o cameraman de Thomas Edison, Edwin Porter foi o primeiro a unir duas imagens que ocorrem ao mesmo tempo, a visão de dois personagens sobre a mesma cena, provavelmente uma seguida da outra no produto final, mas com duas cameras gravando a mesma, porque...
-... É a The Great Train Robbery, um western, que o wiki atribui a origem da técnica do cross-cutting, que é a aparição, uma sobre posta a outra, de duas imagens ao mesmo, as montagens.
eXTReMe Tracker