Diálogo Final
- É tudo que tem a me dizer? - perguntou ele.
- É - respondeu ela.
- Você disse tão pouco.
- Disse o que tinha para dizer.
- Sempre se pode dizer mais uma coisa.
- Que coisa?
- Sei lá. Alguma coisa.
- Você queria que eu repetisse?
- Não. Queria outra coisa.
- Que coisa é outra coisa?
- Não sei. Você que devia saber.
- Por que eu devia saber o que você não sabe?
- Qualquer pessoa sabe mais alguma coisa que outro não sabe.
- Eu só sei o que eu sei.
- Então não vai mesmo me dizer mais nada?
- Mais nada.
- Se você quisesse...
- Quisesse o quê?
- Dizer o que você não tem para me dizer. Dizer o que não sabe, o que eu queria ouvir de você. Em amor é o que há de mais importante: o que a gente não sabe.
- Mas tudo acabou entre nós.
- Pois isso é o mais importante de tudo: o que acabou. Você não me diz mais nada sobre o que acabou? Seria uma forma de continuarmos.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
diálogo final
Me senti extremamente tentado a vir postar um outro conto do drummond que encontrei por acaso enquanto lia a coletânea "Histórias para o Rei", uma vez que o conto é praticamente uma versão linda do "Diálogo de todo dia".
domingo, 24 de agosto de 2008
diálogo de todo dia
Quase cinco da manhã, e depois de horas de agitação uma calma paira na atmosfera, talvez emanando de todos que dormem (e não dormem). E então, fiquei decidido, mas decidíssimo a postar algo aqui. Queria, sabia que queria, fazer um bom post. Então me dirigi à minha estante e me coloquei a procurar os inumeros livros que poderiam dizer alguma coisa. Então, vindo diretamente da terceira ou quarta série, um livro de contos, para crianças (e provavelmente nao só crianças), de Drummond. Achei uma crônica bonitinha, simples, e tão complexa na verdade. Talvez bem exagerado, reflete bem os moldes mal feitos da comunicação. Estereótipos de diálogos e um objetivismo que nos acorrenta sempre a idéia do comum. No fim das contas, nossa comunicação (não só pelo telefone, apesar deste ser extremamente falho, no fim das contas: não olhamos nos olhos de quem estamos falando) é precária.
E cá entre nós, Carlos Drummond de Andrade sempre merece aplausos.
E cá entre nós, Carlos Drummond de Andrade sempre merece aplausos.
Diálogo de todo dia
- Alô, quem fala?
- Ninguém. Quem fala é você que está perguntando quem fala.
- Mas eu preciso saber com quem estou falando.
- E eu preciso saber antes a quem estou respondendo.
- Assim não dá. Me faz o obséquio de dizer quem fala?
- Todo mundo fala, meu amigo, desde que não seja mudo.
- Isso eu sei, não precisava me dizer como novidade. Eu queia saber é quem está no aparelho.
- Ahh, sim. No aparelho não está ninguém.
- Como não está, se você está me respondendo?
- Eu estou fora do aparelho. Dentro do aparelho não cabe ninguém.
- Engraçadinho. Então, quem está fora do aparelho?
- Agora melhorou. Estou eu, para servi-lo.
- Não parece. Se fosse para me servir, já teria dito quem está falando.
- Bem, nós dois estamos falando. Eu de cá, você de lá. E um não conhece o outro.
- Se eu conhecesse não estaria perguntando.
- Você é muito perguntador. Note que eu não lhe perguntei nada.
- Nem tinha que perguntar. Pois se fui eu que telefonei.
- Não perguntei nem vou perguntar. Não estou interessado em conhecer outras pessoas.
- Mas podia estar interessado pelo menos em responder a quem telefonou.
- Estou respondendo.
- Pela última vez, cavalheiro, e em nome de Deus: quem fala?
- Pela última vez, e em nome da segurança, por que eu sou obrigado a dar esta informação a um desconhecido?
- Bolas!
- Bolas digo eu. Bolas e carambolas. Por acaso você não pode dizer com quem deseja falar, para eu lhe responder se esssa pessoa está ou não aqui, mora ou não mora nesse endereço? Vamos, diga de uma vez por todas: com quem deseja falar?
Silêncio.
- Vamos, diga: com quem deseja falar?
- Desculpe, a confusão é tanta que nem eu sei mais. Esqueci. Chau.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Janela Indiscreta (Rear Window)

Se seus pais são daqueles que gostam de filmes antigos, de sua época de infância, ou por aí, você provavelmente já ouvir falar de Alfred Hitchcock. Caso contrário, existe uma chance de 90% que você, ao menos, tenha visto a famosa cena de "Psicose" da sombra de faca na banheira, com sua música que virou clássico das simulações de assassinato, ou mesmo os pássaros alucinados vindo do horizonte do mar para atacar a cidade, em "Os Passáros". Esse é Alfred Hitchcock.
Janela Indiscreta, de 1954, também faz parte da lista de grandes filmes do tido mestre do suspense.
E anteontem, eu descobri o porquê.
Estrelado por James Stewart (Jeff) e a belíssima Grace Kelly (Lisa, ao lado) (talvez você nunca tenha ouvido esses nomes. Aqui em casa, particularmente, esses nomes das antigas estrelas de Hollywood são ditos com grande entusiasmo e, às vezes deve-se notar, com um certo endeusamento. Bom, no
caso dos dois, é bem justificável. Pelo menos ao ver esse filme), o filme já se mostra prova pura de arte logo no começo. Claro, não dá para ver o filme com desleixo se você sabe que é um dos grandes filmes da década de 50, ainda na época de ouro de Hollywood, portanto, é o ideal é você brincar de crítico. Analisar cada postura, cada tomada.O começo, para um desinteressado, é apenas um monte de letreiros, com vários nomes, e aquelas músicas instrumentais antigas da Paramount e cia. Mas enquanto você finge que olha as letras, o fundo vai abrindo as cortinas da janela de Jeff, anunciando que o filme realmente tem a ver com janela -e muito - e que, lentamente, assim como o filme está começando, aqui está começando a trama.
E não são só as cortinas que vão se levantando que merecem ser notadas. Os prédios à fora, com cada vizinho, em algumas janelas, em seus afazeres e seu cotidiano, tão comuns, tão simples, são um toque especial.
Para familiarizar com a história: Jeff é um fotográfo desses aventureiros que acabou quebrando a perna ao se enfiar no meio de uma pista de corrida para tirar uma foto espetacular. Ele tem de ficar por sete semanas de repouso, e acaba criando o enxerido passatempo de observar seus vizinhos pela janela.
O casal que dorme na varanda, a dançarina que ensaia com poucas roupas e as janelas escancaradas, uma quarentona que vive sozinha e simulando encontros em seu apartamento, ganhando o triste apelido por parte de Jeff de Sra. Coração Solitário, o casal cuja mulher é inválida e reclamona, os recém-casados que estão muito animados com o seu... hum.. relacionamento à dois ativo, o talentoso compositor frustado (Inclusive, a primeira cena de apresentação do compositor, na qual aparece um gordinho consertando seu relógio tem uma das marcas do filmes de Alfred: ele mesmo aparecendo, fazendo uma ponta, ele, o gordinho)... Jeff vai acompanhando com uma certa obsessão a vida dessas pessoas, a ponto de virar madrugadas observando-a
s.Numa dessas, ele vê um dos seus vizinhos agindo estranhamente e percebe depois que a mulher dele some. Ele se engaja a tentar descobrir se o homem a matou, ou melhor dizendo, tenta achar provas para confirmar isso, porque ele e sua noiva (Lisa) estão mais que convictos que ele a matoue não há nada que o seu amigo detetive diga que os faça pensar o contrário.
O mais incrível do filme, na verdade, o que mais me chamou atenção, foi o roteiro. Quer dizer, sinceramente, a qualidade dos roteiros dos filmes antigos, numa questão de porcentagem de filmes produzidos para roteiros bons, é muito superior aos filmes que vemos agora. São inteligentes, são feitos de diálogos refinados, são verdadeiras artes. Os filmes antigos se destacam pela dedicação em fazer roteiros que, por mais que a história soe simples, valem a pena de serem apreciados. A época de ouro de Hollywood está ligada à isso: bons roteiros, bons atores, bons diretores. Tudo é tratado como arte.
Os diretores não fazem qualquer tomada, é possível reconhecer cada um pelo tipo de filmagem que se faz. Isso não está mais tão comum (salvo os Tim Burtons da vida).
Esse é outro ponto alto de "Janela Indiscreta" que na verdade é um ponto próprio do Hitchcock: a direção. Os suspenses de Hitckcock levam você a ficar tão curioso quanto o personagem, ou te dão uma ansiedade e uma expectativa sobre o que está acontecendo que parece que você está ali, dentro do filme. É uma sensação que eu tive e que ao ler sobre o filme e Hitchcock, descobri mais ou menos como é feita: nosso caro wikipedia fala do jogo de luz e do trilha sonora.
Eu não me lembro muito da trilha. Eu costumo prestar atenção em trilha. Não acho que ela foi a grande responsável nesse filme. Pode estar associado ao jogo de luz, mas há algo mais. E eu creio que é modo como as tomadas são feitas. Uma observação a ser feita: quase todo o filme é gravado da sala de Jeff. Somos nós e ele olhando pela sua janela.
Fascinante!
No que deve a atuações, o trio principal (que foi o que prestei mais atenção) é impecável. Não a citei, mas a massagista de Jeff, Stella (Thelma Ritter), é dona das frases mais legais e seus diálogos com Jeff são os melhores! Thelma é mais do que convincente, carismática e atrevida. James Stewart não é lá muito bonito, mas ele tem charme esquisito. Esquecendo as aparências, Stewart faz com uma simplicidade, um carisma, uma naturalidade que anda meio difícil... Mas é algo próximo ao Morgan Freeman, vai... E a Grace Kelly... Sinceramente, não dava nada! Sabe como é... Hollywood, rostinho bonito... Mas, numa comparação meio ousada, ela é meio Nicole Kidman. Bela, carismática e talentosa. Kelly tem uma história bem curiosa, ma
s o mais, vamos lá, "chamativo" é que ela se casou com o Princípe de Mônaco... e O Principe atual, o Albert II, é seu filho. Lisa no começo parece uma bem sucedida (e vestida) mulher de negócios em Nova York um tanto frívola. Ela não deixa de ser vaidosa, ainda bem, mas ela ganha um espírito aventureiro, que Grace Kelly faz com muita graça. E o personagem, devo citar, é bem independente, algo meio difícil nos papéis femininos daquela época (uma das poucas coisas que me irritam nos roteiros antigos: eles são masculinos).Bom. Falei bastante. O próximo filme para você alugar : Janela Indiscreta
domingo, 17 de agosto de 2008
Manequins biológicos
A cidade movimentada. As luzes comerciais do entardecer. Os carros param no sinal e depois seguem, com milhares de momentos, de pensamentos ocorrendo a sua volta. Pessoas andam, as botas fazem ploc-ploc, as risadas juvenis fazem os velhos olharem curiosos.
Um velho senhor, roupa rota, e sua caixa de realejo está parado na vitrine. Tão ignorante quanto os carros, tão sem atenção quanto se é possível no espaço público. Toda a atenção que ele não dava, com o olhar fixo nos maniquins da loja à sua frente, no entanto, estava se voltando para ele. Ou ao menos assim parecia ao jovem tomador de sorvete na outra esquina.
A cada pessoa que tentava entender o que merecia tanta concentração do idoso, ao lado deste se postava. E paralisava todas as suas emoções com alguma coisa peculiar dos manequins, como pareceu ao observador.
Os manequins não tinham nada demais, aparentemente. Eram aqueles supostamente despojados e horríveis manequins estilazados, considerados modernos para uns, bregas para outros. Beiços grandes, olhos pequenos ou grandes, queixos avantajados, cabelos de gesso.
Será que aquele senhor os achara tão curiosos assim a ponto de dispender mais de dez minutos naquelas coisas?
Talvez. Mas seja lá o que ele tivesse visto, atraíra os outros também. Não era possível que os ponteiros do relógio fossem disperdiçados por algo semelhante à quando se quer fazer os outros de trouxa ao olhar para o céu como se tivesse algo lá, e que os curiosos, e tolos, copiam. Não. Era um fascínio bizarro, que, enquanto o observador refletia, já adquirira mais de 20 adeptos. E o número só ia aumentando.
Todos ficavam olhando, estáticos. Desemocionais, como o português não permite, mas era tudo que a situação dizia.
O observador tomou a última colherada de seu sorvete de maracujá, limpou os lábios com a língua e com o guarnapo, que jogou no pote, e se ajeitou para analisar melhor o fenômeno.
Alguns, ele enxergara, pararam com as mãos levantadas apontando. Existia gente de boca aberta também. Uns pouco ele percebia os olhos vidrados. Tinha gente tentando subir na banca de jornal próxima a loja para ver. E lá paravam, novamente, estáticos. Agaixados como um felino. Empalhados.
Era bizarro. Era anormal. E estava ficando calamitoso. A curiosidade estava ficando doentia. Tinha um grupo de jovens com roupas pretas juntando caixas na faixa de rua mais próxima da vitrine misteriosa para tentar saber o que era. E no topo, paralisado, ficou o primeiro que subiu, para reclamações dos amigos. Eles até maldosamente tentaram desequilibrá-lo, derrubar as caixas, mas parecia que a própria pilha de caixas paralisara. Ou estava pesada. Eram eles fracos?
Magros e branquelos, cheios de correntes e pulseiras para dar uma personalidade estética a si mesmos. Talvez.
Eles desistiram de derrubá-lo. Estavam assustados, mas os imbecis resolveram fazer outra pilha. A história se repetiu. Eles correram dali.
Uma van do jornal local chegara. Queriam fazer entrevistas com quem estava parado. Mas foram ignorados como almas inexistentes. O observador riu da tolice.
Eles tentaram com quem estava em volta, mas a retórica era repetida, assustada e medrosa.
Até que um homem forte e alto de regata, se achando muito inteligente, resolveu carregar as pessoas paralisadas dali. Para enxergar ele mesmo ou para parar com a palhaçada, o observador não soube.
Tinha gente reclamando da brutalidade, mas ficaram só nos gritos. O grandalhão tentou mesmo assim. Não conseguiu tirar quem estava na parte mais externa da multidão gélica. Mas alguém gritou, sem que o observador entendesse a lógica daquilo:
"Tenta mais para dentro!"
Ele se desviou com dificuldade com o seu corpo, chegou a subir nos ombros de alguns, mas conseguiu. E parou ali mesmo.
Os carros buzinavam com o caos, para dar um som mais condizente a ele. O jornal, ao vivo, falava de "epidemia paralítica de origens desconhecidas".
O observador, quase se levantando para participar da comoção pública, estacou assim que viu o tatatá do helicoptero da maior rede televisava do país. Sentou-se novamente.
Viu a polícia chegando e isolando o local, sob vaia da multidão atiçada. Para o horror de todos, o helicópetero, muito baixo e perto da loja, desgovernou e bateu na lateral do prédio acima da loja.
Os berros aumentaram, o fogo tomava conta do prédio. Muita gente correu. Menos quem olhara a imagem que a câmera da tv conseguira. E era mais da metade das pessoas ali, devido ao telão em cima do teatro.
Quanta estupidez divulgar isso era só o que o observador observou. Ele não olhou. Boa coisa ele sabia que não era.
Um inferno instalado. E ele assistia de camarote, entretido, emocionado, curioso, assustado, petrificado. Menos do que aquela a gente a sua frente. Ele incontrolavelmente riu com o pensamento. Mas se penalizou depois. Estava confuso sobre o que achava de tudo aquilo. Fascinado, com certeza.
Os bombeiros tentavam apagar o fogo. A polícia tentava acalmar a multidão. A tv estava dividida entre registrar o desespero e causar desespero para quem não estava ali.
Horas e horas se passaram. Ele estava ali. Sem comer, sem ir ao banheiro. Sem dormir. Policia, Bombeiros e Jornalistas também. Mas só. O público em volta mudava de cara. O número de observadores variava com os horários de trabalho.
E os manequins biológicos continuavam estáticos. Duas mães com carrinhos de bebê. O casal de mãos dadas. Os roqueiros nas caixas. Os maloqueiros na banca. Os jovens sorridentes com a garrada de vodka na mão do mais novo. A criança que segurava a barra da camisa do vô. Todos. Lá. E o observador, que se tornou ele mesmo um estático. Por vontade própria.
Um velho senhor, roupa rota, e sua caixa de realejo está parado na vitrine. Tão ignorante quanto os carros, tão sem atenção quanto se é possível no espaço público. Toda a atenção que ele não dava, com o olhar fixo nos maniquins da loja à sua frente, no entanto, estava se voltando para ele. Ou ao menos assim parecia ao jovem tomador de sorvete na outra esquina.
A cada pessoa que tentava entender o que merecia tanta concentração do idoso, ao lado deste se postava. E paralisava todas as suas emoções com alguma coisa peculiar dos manequins, como pareceu ao observador.
Os manequins não tinham nada demais, aparentemente. Eram aqueles supostamente despojados e horríveis manequins estilazados, considerados modernos para uns, bregas para outros. Beiços grandes, olhos pequenos ou grandes, queixos avantajados, cabelos de gesso.
Será que aquele senhor os achara tão curiosos assim a ponto de dispender mais de dez minutos naquelas coisas?
Talvez. Mas seja lá o que ele tivesse visto, atraíra os outros também. Não era possível que os ponteiros do relógio fossem disperdiçados por algo semelhante à quando se quer fazer os outros de trouxa ao olhar para o céu como se tivesse algo lá, e que os curiosos, e tolos, copiam. Não. Era um fascínio bizarro, que, enquanto o observador refletia, já adquirira mais de 20 adeptos. E o número só ia aumentando.
Todos ficavam olhando, estáticos. Desemocionais, como o português não permite, mas era tudo que a situação dizia.
O observador tomou a última colherada de seu sorvete de maracujá, limpou os lábios com a língua e com o guarnapo, que jogou no pote, e se ajeitou para analisar melhor o fenômeno.
Alguns, ele enxergara, pararam com as mãos levantadas apontando. Existia gente de boca aberta também. Uns pouco ele percebia os olhos vidrados. Tinha gente tentando subir na banca de jornal próxima a loja para ver. E lá paravam, novamente, estáticos. Agaixados como um felino. Empalhados.
Era bizarro. Era anormal. E estava ficando calamitoso. A curiosidade estava ficando doentia. Tinha um grupo de jovens com roupas pretas juntando caixas na faixa de rua mais próxima da vitrine misteriosa para tentar saber o que era. E no topo, paralisado, ficou o primeiro que subiu, para reclamações dos amigos. Eles até maldosamente tentaram desequilibrá-lo, derrubar as caixas, mas parecia que a própria pilha de caixas paralisara. Ou estava pesada. Eram eles fracos?
Magros e branquelos, cheios de correntes e pulseiras para dar uma personalidade estética a si mesmos. Talvez.
Eles desistiram de derrubá-lo. Estavam assustados, mas os imbecis resolveram fazer outra pilha. A história se repetiu. Eles correram dali.
Uma van do jornal local chegara. Queriam fazer entrevistas com quem estava parado. Mas foram ignorados como almas inexistentes. O observador riu da tolice.
Eles tentaram com quem estava em volta, mas a retórica era repetida, assustada e medrosa.
Até que um homem forte e alto de regata, se achando muito inteligente, resolveu carregar as pessoas paralisadas dali. Para enxergar ele mesmo ou para parar com a palhaçada, o observador não soube.
Tinha gente reclamando da brutalidade, mas ficaram só nos gritos. O grandalhão tentou mesmo assim. Não conseguiu tirar quem estava na parte mais externa da multidão gélica. Mas alguém gritou, sem que o observador entendesse a lógica daquilo:
"Tenta mais para dentro!"
Ele se desviou com dificuldade com o seu corpo, chegou a subir nos ombros de alguns, mas conseguiu. E parou ali mesmo.
Os carros buzinavam com o caos, para dar um som mais condizente a ele. O jornal, ao vivo, falava de "epidemia paralítica de origens desconhecidas".
O observador, quase se levantando para participar da comoção pública, estacou assim que viu o tatatá do helicoptero da maior rede televisava do país. Sentou-se novamente.
Viu a polícia chegando e isolando o local, sob vaia da multidão atiçada. Para o horror de todos, o helicópetero, muito baixo e perto da loja, desgovernou e bateu na lateral do prédio acima da loja.
Os berros aumentaram, o fogo tomava conta do prédio. Muita gente correu. Menos quem olhara a imagem que a câmera da tv conseguira. E era mais da metade das pessoas ali, devido ao telão em cima do teatro.
Quanta estupidez divulgar isso era só o que o observador observou. Ele não olhou. Boa coisa ele sabia que não era.
Um inferno instalado. E ele assistia de camarote, entretido, emocionado, curioso, assustado, petrificado. Menos do que aquela a gente a sua frente. Ele incontrolavelmente riu com o pensamento. Mas se penalizou depois. Estava confuso sobre o que achava de tudo aquilo. Fascinado, com certeza.
Os bombeiros tentavam apagar o fogo. A polícia tentava acalmar a multidão. A tv estava dividida entre registrar o desespero e causar desespero para quem não estava ali.
Horas e horas se passaram. Ele estava ali. Sem comer, sem ir ao banheiro. Sem dormir. Policia, Bombeiros e Jornalistas também. Mas só. O público em volta mudava de cara. O número de observadores variava com os horários de trabalho.
E os manequins biológicos continuavam estáticos. Duas mães com carrinhos de bebê. O casal de mãos dadas. Os roqueiros nas caixas. Os maloqueiros na banca. Os jovens sorridentes com a garrada de vodka na mão do mais novo. A criança que segurava a barra da camisa do vô. Todos. Lá. E o observador, que se tornou ele mesmo um estático. Por vontade própria.
a coisa.
A garota dançava na areia. Os seus cabelos voavam inconformados com o vento. Os seus pés nus se mexiam em busca da fantasia. E em suas mãos sutis, ela lia uma fantasia complexa, que cismava no brilho em seus olhos sonhadores. Ela desviava do que não queria, ela dava beijos inocentes nas testas das crianças, de qualquer faixa etária, que achava que poderiam precisar.
Ela vivia sua fantasia. Ela amava os outros. Ela lia a sua fantasia com paixão. Ela acreditava no beijo com charme, na excitante sedução com uma pitada de pureza. A garota que dançava na areia dava beijos nas testas de quem ela achava que precisava. Nas crianças. De todas as faixas etárias. Os seus pés nus dançavam...
Ela deu a mão para a ciranda perfeita, ela beijou a testa dos outros. Ela beijou a testa dos outros...
Mas então lhe reinvidicaram seriedade. Lhe olharam seriamente. Lhe gritaram, friamente... E uma página foi arrancada. E então lhe bateram na face. Lhe reinvidicaram que fosse adulta. E as páginas foram arrancadas. E os pés nus se confundiam na areia.
Ela já não beijava mais na testa dos outros. Ela sorria, de vez em quando, e se afastava. E então lhe humilharam. E lhe esqueceram. E as páginas, ela esqueceu. E o livro, se foi.
A menina, fechou os olhos. A menina se escondeu. A menina calçou o salto alto, tirou o pé da areia, e caiu no asfalto.
A menina andou.
A coisa, andou.
A coisa, passou de nariz empinado pela criança suplicante deitando no canto da rua. Que implorava o sorriso. E não lhe beijou mais a testa. Esqueceu-a.
A coisa, não chorava. Sofria eternamente.
Ela vivia sua fantasia. Ela amava os outros. Ela lia a sua fantasia com paixão. Ela acreditava no beijo com charme, na excitante sedução com uma pitada de pureza. A garota que dançava na areia dava beijos nas testas de quem ela achava que precisava. Nas crianças. De todas as faixas etárias. Os seus pés nus dançavam...
Ela deu a mão para a ciranda perfeita, ela beijou a testa dos outros. Ela beijou a testa dos outros...
Mas então lhe reinvidicaram seriedade. Lhe olharam seriamente. Lhe gritaram, friamente... E uma página foi arrancada. E então lhe bateram na face. Lhe reinvidicaram que fosse adulta. E as páginas foram arrancadas. E os pés nus se confundiam na areia.
Ela já não beijava mais na testa dos outros. Ela sorria, de vez em quando, e se afastava. E então lhe humilharam. E lhe esqueceram. E as páginas, ela esqueceu. E o livro, se foi.
A menina, fechou os olhos. A menina se escondeu. A menina calçou o salto alto, tirou o pé da areia, e caiu no asfalto.
A menina andou.
A coisa, andou.
A coisa, passou de nariz empinado pela criança suplicante deitando no canto da rua. Que implorava o sorriso. E não lhe beijou mais a testa. Esqueceu-a.
A coisa, não chorava. Sofria eternamente.
domingo, 3 de agosto de 2008
Spencer Tunick
Aqui estou eu, com toda a humildade de uma camareira, altivez de uma governanta, nobreza de um príncipe e autoridade florestal que me é de direito para apresentar pra vcs um fotografo que tem como especialidade o "nu em massa".

Desde 1992 Spencer Tunick tira fotos de multidões peladas (voluntários) em locais públicos. Segundo o autor, esse grupo de pessoas torna-se uma abstracção que desafia e reconfigura a nossa visão da nudez e da própria privacidade.




Desde 1992 Spencer Tunick tira fotos de multidões peladas (voluntários) em locais públicos. Segundo o autor, esse grupo de pessoas torna-se uma abstracção que desafia e reconfigura a nossa visão da nudez e da própria privacidade.



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sábado, 2 de agosto de 2008
e abrem-se as portas...
...do armário.
E então, camaleões de armário. Puros pensamentos multicoloridos no cenário preto e branco do fundo das gavetas, loucos para serem exteriorizados. E nós, um humilde e fantástico (como bem disse Julia com outras palavras) grupo de 4 pessoas (enquanto a Raquel não se convence de que vai ser convencida a ingressar o blog) resolve ter a boa ação de dar o devido respeito - merecido - por estes camaleões nossos.
Sim, um blog conjunto com idéias diversas não feitas para se adequar aos moldes de ovos de páscoa, afinal somos jovens e acreditamos na bondade da humanidade.
E então, governaremos Nárnia. Julia, a profeta. Paula, o sushi. Leão, o pokémon. Eu, o (futuro) espancado (e futuramente, Raquel, a beijos).
Um bom leito de camaleão a todos que lerem este blog.
E então, camaleões de armário. Puros pensamentos multicoloridos no cenário preto e branco do fundo das gavetas, loucos para serem exteriorizados. E nós, um humilde e fantástico (como bem disse Julia com outras palavras) grupo de 4 pessoas (enquanto a Raquel não se convence de que vai ser convencida a ingressar o blog) resolve ter a boa ação de dar o devido respeito - merecido - por estes camaleões nossos.
Sim, um blog conjunto com idéias diversas não feitas para se adequar aos moldes de ovos de páscoa, afinal somos jovens e acreditamos na bondade da humanidade.
E então, governaremos Nárnia. Julia, a profeta. Paula, o sushi. Leão, o pokémon. Eu, o (futuro) espancado (e futuramente, Raquel, a beijos).
Um bom leito de camaleão a todos que lerem este blog.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Poesias profundas. O art-noveau literário do no-sense.
Iniciando nosso digníssimo blog comunitário, feito de mentes avançadas ao seu tempo, recheadas com puro glitter de plancton fosforescente e muita humildade, devo começar com poesias já divulgadas em uma certa comunidade obscura e subversiva do orkut, onde artistas rejeitados tentaram publicar seu trabalho de sofisticada arte.
Eí-los, em sequência de publicação:
1. (Narigão Mascarado)
És flor, és dor
és xadrez, a todo ardor
És rosa, és branco
Meu pequeno guarda-chuva manco
Premiado no 5478º Prêmio anual da Pérsia Sheik Madis.
2. (Felino do Glitter)
Hiena
Por entre as pedras caminha
Tão graciosa quanto Atena
1 metro de altura, segundo a trena
Comendo furtivamente a carne
Que no futuro será gangrena
Hahaha
Ela ri de uma piada
De forma obcena
Poesia vencora do XIX lugar no campeonato nacional do Uzbequistão: "19 Novos Poetas No-clássico-inovator-fashion-stylist-makeover-blush-naturalistas"
3. (Narigão Mascarado)
As notas do futuro voam
Sem se alimentar de pão
Padres rezam missas
Minha filha não se chama Cissa
e o pai não é João.
Ó, mares ardentes
Cleopatra perdeu os dentes!
Fecha teu círculo de fogo
sem bravura, não tem arrojo!
*Essa poesia foi probida pela ditadura dos ácaros de Hogwarts, mas houve uma premiação clandestina como melhor expressão dos anseios dos elfos-domésticos*
4. (Verrugão da Baixada)
5. (Verrugão da Baixada)
6. (Narigão Mascarado)
Meias xadrez
não cheiram a xerez
Meias coloridas
lembram minhas feridas
de um velho purpurinado
que por mto tempo esteve calado
Meias, meias
artigos de luxo
Sem elas, eu murcho.
*Poema escrito por Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore. Um dos seus últimos registros*
7. (Verrugão da Baixada)
A gente é dinossauro, capa de máscara, gosma e cão
A gente renova, desova e faz uma coisa toda nova
A gente vive cos homi, mas não curte rap não,
Nosso negócio mesmo é patins e pagodão
[resposta do monster rancher para os digimons e pokemons]
8. (Narigão Mascarado)
clima infernal
37 graus não é legal
Qro uma piscina pra usufruir
e nas águas me divertir
As cigarras cantam com o calor
E eu gemo de dor.
Lindo sol que nos agrada nas manhãs
dá um tempo e vai ler poesias pagãs!
*Poesia restaurada após ser destruída numas das queimadas do estado do Mato Grosso*
9. (Jinx Empeitada)
rosas são vermelhas
violetas são azuis
a julia é uma nariguda
e a raquel gosta de picles
10. (Narigão Mascarado)
Ser ou não ser,
eis a questão.
A Paula tem um testão
é melhor não me cutucar não.
11. (Grande Paty)
brucheta com peneta
arqueduto e vinheta
cada um com seu 'probrema'
morou?
12. (Narigão Mascarado)
Seu churrasco
não será um fiasco
Mas me livre daqui
pq desde que o vi
Nos lençóis negros da sofreguidão vivi.
Com vc não senti
com vc não ouvi
com vc, quis fazer xixi.
*Premiado como o poema q mais capta os sentidos no Festival de Ervilhas de Bertioga*
13. (Narigão Mascarado)
és trouxa,
és frouxa,
minha cara,
qdo o vento pára,
é sinal do fim.
Encurtida em mim
está tudo atrás
das curtinas
seja perspicaz
enquanto outros estão
nas festas de confetes e serpentinas
de vc se vão
as ordens
que condenam o pão,
sendo reféns
os amigos de Quefren.
Perde a luz,
falsa como o ouro da feira hippie,
tudo se conduz
a liberdade de Felipe.
**** Poesia q ganhou prêmio destaque na Festa da Engana Monarquia, no período Pré-Cambriano da Galáxia Zorn ****
14. (Verrugão da Baixada)
Hoje são as serpentes do mar.
Hoje são marionetes, são marias, são joãos
Hoje são paulas e laércios
As propagandas censuradas
Os fluxos e reproduções cessadas
Passe a morsa, Passe a morsa, ele disse
E a morsa, como que consentisse
Se disfarçou de fuinha e de marmota
mas era uma morsa,
mas era uma paul....
*poema consagrado pelo prêmio da Ameba de Ouro escrito durante a democrática ditadura de Chico Xavier*
15. (Felino do Glitter)
O breu em profusão
se manifesta recatado
Profunda ilusão
O finito obliterado
Traço pueril
No vértice encerrado
Assimetria viril
Não poderia estar em pior estado
Lentes de um óculos não tão bonito
Fitam-me como uma phyton
É como Bacon infinito
Sem o bacon
Vencedora do concurso de poesia ornamentária da Lojinha de Ikebana da Vovó categoria: Poesia baseada em algarismos presentes no avatar de comunidades
16. (Narigão Mascarado)
da sua prosápia
ergue-se no manto cor de topázia
loucuras deliberadas
em sua graça invocada
completa a armada
Crê-se em si o embate
miojos à parte.
*Produção do xá Salamaleikon Salame, em seu best-seller "Eu e minha xicorita"*
17. (Narigão Mascarado)
Verde, duende
elfo não-servente
espada e escudo
em Hyrule, faz tudo
Coragem em mãos
Rosto impassível,
heróico, complacente
Atos vãos.
Zelda impossível,
à rainha pretende.
Gah! Ha! yah!
é o Link em ação
em prol de toda a nação!
*Poema redigído no computador da Julia num ato sem-idéias, enquanto o Leõa joga Zelda*
18. (Narigão Mascarado)
Restos mortais
des-nação zumbi
dores infernais
ao sono sucumbi.
Dejeto de gente
ignorância de crente
infânica demente
caiu meu dente.
Olhos saltados
mãos sudoriparas
raciocínios encurtados
ações decriptas.
Queres cama
o tempo não te ama
Infernos bufantes
nas costas, elefantes.
Arrasta os pés
para a morte dos infiéis.
*Registro de João Cafeína, participante honorário da concurso "Deleites do Máscara da Morte", ganhando destaque em "efeitos mortais da ausência de sono"*
19. (Felino do Glitter)
Quermece mundana
Regojizo naval
calunia profana
cloaca ancestral
torrentes e torrentes
de puro conhecimento
moçoilas valentes
registros do vento
tudo isso e muito mais
encontra-se na biblioteca
conclusões divinais
infindavel perereca
sabios apreciam com minúncia
o material sagrado
é repleto de astúcia
nas trevas foi consumado
Poesia encotnrada em uma tumba de um antigo Faraó (ainda não se sabe qual) usada não só como argumento para defenter uma teoria de alguns historiadores de que alem da mitologia conhecida, alguns egipcios seguiam deuses diferentes, mas tambem para dar indicios da possibilidade da existencia de uma suposta biblioteca divinal que abriga informações sobre estes tais deuses
20. (Narigão Mascarado)
Rap do Feno
Até as margens do rio Reno
vêem q aqui tem mta boa de feno
a Julia não tem nada pra fazer
qro chocolate nesse glassê
E 'tamos aqui de novo
a cartola mágica
tira idéia até em ovo
nessa rima trágica
Vou cortar meus pulsos
minha mente está cheia de avulsos
e eu devia estar lendo...
Alguém qr incenso?
Vc pode achar q to dando uma de Luna
mas ela fuma,
e eu vejo letras.
Então, não te metas!
Brinca de tico-tico
e me vê enoloquecendo
com gnt down convivendo
a saturação tá no pico.
Sopro de vento
contra meu intento
assim comento,
assim, invento.
*O Rap é top nas paradas da Micronésia! Acompanhe a rádio 56777999.1 FM de hora em hora para ouví-lo!*
21. (Narigão Mascarado)
Opções verdejantes
projeções pixais hilariantes
Censos de importância
Assuntos cheios de substância
Letras salpicam
dores aos dedos implicam
retóricas longas
escritas por pessoas mongas
Vocabulário curioso
composto impetuoso
sem regras, sem leis,
fazem-se votos sem vez.
*ode escrita por monges catedráticos para expressar sua catatônica expressão diante do volumoso arquivo hiênico de democracia*
22. (Felino do Glitter)
Jornada
Trata-se de uma obra anônima achada dentro de uma panela de pressão sob o refeitorio de uma Universidade conhecida... Desculpe, não podemos fornecer mais informações, queremos manter a discrição. Manter estardalhaços longe é a prioridade no momento. Sem mais. *o homem diz isso e sai se esquivando dos muitos microfones que o rodeiam se encaminahndo a seu carro que o aguarda nas redondezas, invisivel pela multidão...tal homem é o representante do OEGATOQRTC - Orgão Estadual Gerente da Arqueologia Totalmente Oriundo de Questões Relativas Totalmente Cortes. *
23. (Narigão Mascarado)
Espaçados momentos,
estranhos eventos.
Esquece-te do novo
sem me jogar ao vôo
do ar resignado.
Cobre-te de fúria
desse olhar invejado.
Risonhos e com gorros natalinos em julho
a amizade em um embrulho
de ursinhos abraçados.
*Poesia vencedora do concurso com um único só participante para homenagear o ambiente hiênico*
PS: Há grandes internas envolvidas em tais poesias. Mas como toda grande arte, para maior conhecimento e compreensão, favor ler as biografias do respectivos autores.
Eí-los, em sequência de publicação:
1. (Narigão Mascarado)
És flor, és dor
és xadrez, a todo ardor
És rosa, és branco
Meu pequeno guarda-chuva manco
Premiado no 5478º Prêmio anual da Pérsia Sheik Madis.
2. (Felino do Glitter)
Hiena
Por entre as pedras caminha
Tão graciosa quanto Atena
1 metro de altura, segundo a trena
Comendo furtivamente a carne
Que no futuro será gangrena
Hahaha
Ela ri de uma piada
De forma obcena
Poesia vencora do XIX lugar no campeonato nacional do Uzbequistão: "19 Novos Poetas No-clássico-inovator-fashion-stylist-makeover-blush-naturalistas"
3. (Narigão Mascarado)
As notas do futuro voam
Sem se alimentar de pão
Padres rezam missas
Minha filha não se chama Cissa
e o pai não é João.
Ó, mares ardentes
Cleopatra perdeu os dentes!
Fecha teu círculo de fogo
sem bravura, não tem arrojo!
*Essa poesia foi probida pela ditadura dos ácaros de Hogwarts, mas houve uma premiação clandestina como melhor expressão dos anseios dos elfos-domésticos*
4. (Verrugão da Baixada)
Eu gosto de digimon frito na churrasqueira
Eu gosto de ser do universo dos humanos
Eu gosto de batata fritas e caganeira
E convivo diariamente com os manos
Eu sou o original,
E sou eu quem aparece no jornal
Quando a criancinha perde a visão
Foi meu o choque do trovão
[grito de guerra dos pokemons contra os digimons]
Eu gosto de ser do universo dos humanos
Eu gosto de batata fritas e caganeira
E convivo diariamente com os manos
Eu sou o original,
E sou eu quem aparece no jornal
Quando a criancinha perde a visão
Foi meu o choque do trovão
[grito de guerra dos pokemons contra os digimons]
5. (Verrugão da Baixada)
"A chama do nosso rabo não apaga,
E a gente tem nosso próprio mundo paralelo,
A gente não é uma raça vagaba,
Tem nome característico e gosta de caramelo
A gente termina com mon sempre
E a gente não sabe rimar com sempre,
MAS NÓIS NÃO É PLÁGIO NÃO
NÓIS É ORIGINAL BOMZÃO!"
[resposta dos digimons para os pokemons]
E a gente tem nosso próprio mundo paralelo,
A gente não é uma raça vagaba,
Tem nome característico e gosta de caramelo
A gente termina com mon sempre
E a gente não sabe rimar com sempre,
MAS NÓIS NÃO É PLÁGIO NÃO
NÓIS É ORIGINAL BOMZÃO!"
[resposta dos digimons para os pokemons]
6. (Narigão Mascarado)
Meias xadrez
não cheiram a xerez
Meias coloridas
lembram minhas feridas
de um velho purpurinado
que por mto tempo esteve calado
Meias, meias
artigos de luxo
Sem elas, eu murcho.
*Poema escrito por Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore. Um dos seus últimos registros*
7. (Verrugão da Baixada)
A gente é dinossauro, capa de máscara, gosma e cão
A gente renova, desova e faz uma coisa toda nova
A gente vive cos homi, mas não curte rap não,
Nosso negócio mesmo é patins e pagodão
[resposta do monster rancher para os digimons e pokemons]
8. (Narigão Mascarado)
clima infernal
37 graus não é legal
Qro uma piscina pra usufruir
e nas águas me divertir
As cigarras cantam com o calor
E eu gemo de dor.
Lindo sol que nos agrada nas manhãs
dá um tempo e vai ler poesias pagãs!
*Poesia restaurada após ser destruída numas das queimadas do estado do Mato Grosso*
9. (Jinx Empeitada)
rosas são vermelhas
violetas são azuis
a julia é uma nariguda
e a raquel gosta de picles
10. (Narigão Mascarado)
Ser ou não ser,
eis a questão.
A Paula tem um testão
é melhor não me cutucar não.
11. (Grande Paty)
brucheta com peneta
arqueduto e vinheta
cada um com seu 'probrema'
morou?
12. (Narigão Mascarado)
Seu churrasco
não será um fiasco
Mas me livre daqui
pq desde que o vi
Nos lençóis negros da sofreguidão vivi.
Com vc não senti
com vc não ouvi
com vc, quis fazer xixi.
*Premiado como o poema q mais capta os sentidos no Festival de Ervilhas de Bertioga*
13. (Narigão Mascarado)
és trouxa,
és frouxa,
minha cara,
qdo o vento pára,
é sinal do fim.
Encurtida em mim
está tudo atrás
das curtinas
seja perspicaz
enquanto outros estão
nas festas de confetes e serpentinas
de vc se vão
as ordens
que condenam o pão,
sendo reféns
os amigos de Quefren.
Perde a luz,
falsa como o ouro da feira hippie,
tudo se conduz
a liberdade de Felipe.
**** Poesia q ganhou prêmio destaque na Festa da Engana Monarquia, no período Pré-Cambriano da Galáxia Zorn ****
14. (Verrugão da Baixada)
Hoje são as serpentes do mar.
Hoje são marionetes, são marias, são joãos
Hoje são paulas e laércios
As propagandas censuradas
Os fluxos e reproduções cessadas
Passe a morsa, Passe a morsa, ele disse
E a morsa, como que consentisse
Se disfarçou de fuinha e de marmota
mas era uma morsa,
mas era uma paul....
*poema consagrado pelo prêmio da Ameba de Ouro escrito durante a democrática ditadura de Chico Xavier*
15. (Felino do Glitter)
O breu em profusão
se manifesta recatado
Profunda ilusão
O finito obliterado
Traço pueril
No vértice encerrado
Assimetria viril
Não poderia estar em pior estado
Lentes de um óculos não tão bonito
Fitam-me como uma phyton
É como Bacon infinito
Sem o bacon
Vencedora do concurso de poesia ornamentária da Lojinha de Ikebana da Vovó categoria: Poesia baseada em algarismos presentes no avatar de comunidades
16. (Narigão Mascarado)
da sua prosápia
ergue-se no manto cor de topázia
loucuras deliberadas
em sua graça invocada
completa a armada
Crê-se em si o embate
miojos à parte.
*Produção do xá Salamaleikon Salame, em seu best-seller "Eu e minha xicorita"*
17. (Narigão Mascarado)
Verde, duende
elfo não-servente
espada e escudo
em Hyrule, faz tudo
Coragem em mãos
Rosto impassível,
heróico, complacente
Atos vãos.
Zelda impossível,
à rainha pretende.
Gah! Ha! yah!
é o Link em ação
em prol de toda a nação!
*Poema redigído no computador da Julia num ato sem-idéias, enquanto o Leõa joga Zelda*
18. (Narigão Mascarado)
Restos mortais
des-nação zumbi
dores infernais
ao sono sucumbi.
Dejeto de gente
ignorância de crente
infânica demente
caiu meu dente.
Olhos saltados
mãos sudoriparas
raciocínios encurtados
ações decriptas.
Queres cama
o tempo não te ama
Infernos bufantes
nas costas, elefantes.
Arrasta os pés
para a morte dos infiéis.
*Registro de João Cafeína, participante honorário da concurso "Deleites do Máscara da Morte", ganhando destaque em "efeitos mortais da ausência de sono"*
19. (Felino do Glitter)
Quermece mundana
Regojizo naval
calunia profana
cloaca ancestral
torrentes e torrentes
de puro conhecimento
moçoilas valentes
registros do vento
tudo isso e muito mais
encontra-se na biblioteca
conclusões divinais
infindavel perereca
sabios apreciam com minúncia
o material sagrado
é repleto de astúcia
nas trevas foi consumado
Poesia encotnrada em uma tumba de um antigo Faraó (ainda não se sabe qual) usada não só como argumento para defenter uma teoria de alguns historiadores de que alem da mitologia conhecida, alguns egipcios seguiam deuses diferentes, mas tambem para dar indicios da possibilidade da existencia de uma suposta biblioteca divinal que abriga informações sobre estes tais deuses
20. (Narigão Mascarado)
Rap do Feno
Até as margens do rio Reno
vêem q aqui tem mta boa de feno
a Julia não tem nada pra fazer
qro chocolate nesse glassê
E 'tamos aqui de novo
a cartola mágica
tira idéia até em ovo
nessa rima trágica
Vou cortar meus pulsos
minha mente está cheia de avulsos
e eu devia estar lendo...
Alguém qr incenso?
Vc pode achar q to dando uma de Luna
mas ela fuma,
e eu vejo letras.
Então, não te metas!
Brinca de tico-tico
e me vê enoloquecendo
com gnt down convivendo
a saturação tá no pico.
Sopro de vento
contra meu intento
assim comento,
assim, invento.
*O Rap é top nas paradas da Micronésia! Acompanhe a rádio 56777999.1 FM de hora em hora para ouví-lo!*
21. (Narigão Mascarado)
Opções verdejantes
projeções pixais hilariantes
Censos de importância
Assuntos cheios de substância
Letras salpicam
dores aos dedos implicam
retóricas longas
escritas por pessoas mongas
Vocabulário curioso
composto impetuoso
sem regras, sem leis,
fazem-se votos sem vez.
*ode escrita por monges catedráticos para expressar sua catatônica expressão diante do volumoso arquivo hiênico de democracia*
22. (Felino do Glitter)
Jornada
É a hora da verdade
Eu, eu mesmo e minha pessoa
Demonstrarei hombridade
Subitamente, a corajem de mim voa
Engenheiro formado,
Sorriso radiante
Independente frustrado
Paparicado errante
Filho único brilhante
Vida de mimos na casinha
Mamãe nunca passou adiante
sua perícia na cozinnha
Miojo, ovo frito
Complexas equações sobrepostas
Labirintico mito
Estou vagando sem respostas
Dúvidas em profusão:
Para cozinhar, comofas??/?//
Simples resolução:
Ligue para a ultragaz
Luz no fim da linha
Esperança, nas cinzas dormentes
Phoenix? Quero galinha!
Agora possuo os ingredientes
Por este mundo novo,começo minha jornada
Nos livros, minha estrela guia
Gastronomia consumada
Eu, eu mesmo e minha pessoa
Demonstrarei hombridade
Subitamente, a corajem de mim voa
Engenheiro formado,
Sorriso radiante
Independente frustrado
Paparicado errante
Filho único brilhante
Vida de mimos na casinha
Mamãe nunca passou adiante
sua perícia na cozinnha
Miojo, ovo frito
Complexas equações sobrepostas
Labirintico mito
Estou vagando sem respostas
Dúvidas em profusão:
Para cozinhar, comofas??/?//
Simples resolução:
Ligue para a ultragaz
Luz no fim da linha
Esperança, nas cinzas dormentes
Phoenix? Quero galinha!
Agora possuo os ingredientes
Por este mundo novo,começo minha jornada
Nos livros, minha estrela guia
Gastronomia consumada
Trata-se de uma obra anônima achada dentro de uma panela de pressão sob o refeitorio de uma Universidade conhecida... Desculpe, não podemos fornecer mais informações, queremos manter a discrição. Manter estardalhaços longe é a prioridade no momento. Sem mais. *o homem diz isso e sai se esquivando dos muitos microfones que o rodeiam se encaminahndo a seu carro que o aguarda nas redondezas, invisivel pela multidão...tal homem é o representante do OEGATOQRTC - Orgão Estadual Gerente da Arqueologia Totalmente Oriundo de Questões Relativas Totalmente Cortes. *
23. (Narigão Mascarado)
Espaçados momentos,
estranhos eventos.
Esquece-te do novo
sem me jogar ao vôo
do ar resignado.
Cobre-te de fúria
desse olhar invejado.
Risonhos e com gorros natalinos em julho
a amizade em um embrulho
de ursinhos abraçados.
*Poesia vencedora do concurso com um único só participante para homenagear o ambiente hiênico*
PS: Há grandes internas envolvidas em tais poesias. Mas como toda grande arte, para maior conhecimento e compreensão, favor ler as biografias do respectivos autores.
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