domingo, 17 de agosto de 2008

a coisa.

A garota dançava na areia. Os seus cabelos voavam inconformados com o vento. Os seus pés nus se mexiam em busca da fantasia. E em suas mãos sutis, ela lia uma fantasia complexa, que cismava no brilho em seus olhos sonhadores. Ela desviava do que não queria, ela dava beijos inocentes nas testas das crianças, de qualquer faixa etária, que achava que poderiam precisar.
Ela vivia sua fantasia. Ela amava os outros. Ela lia a sua fantasia com paixão. Ela acreditava no beijo com charme, na excitante sedução com uma pitada de pureza. A garota que dançava na areia dava beijos nas testas de quem ela achava que precisava. Nas crianças. De todas as faixas etárias. Os seus pés nus dançavam...
Ela deu a mão para a ciranda perfeita, ela beijou a testa dos outros. Ela beijou a testa dos outros...
Mas então lhe reinvidicaram seriedade. Lhe olharam seriamente. Lhe gritaram, friamente... E uma página foi arrancada. E então lhe bateram na face. Lhe reinvidicaram que fosse adulta. E as páginas foram arrancadas. E os pés nus se confundiam na areia.
Ela já não beijava mais na testa dos outros. Ela sorria, de vez em quando, e se afastava. E então lhe humilharam. E lhe esqueceram. E as páginas, ela esqueceu. E o livro, se foi.
A menina, fechou os olhos. A menina se escondeu. A menina calçou o salto alto, tirou o pé da areia, e caiu no asfalto.
A menina andou.
A coisa, andou.
A coisa, passou de nariz empinado pela criança suplicante deitando no canto da rua. Que implorava o sorriso. E não lhe beijou mais a testa. Esqueceu-a.
A coisa, não chorava. Sofria eternamente.

3 comentários:

Julia disse...

NOssa, arrasou Alb! o.o

OI disse...

Bem legal

Alb disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
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