domingo, 16 de agosto de 2009

Marina Silva e a noção de tempo

Por Jung Mo Sung*

A possibilidade do lançamento da candidatura da senadora Marina da Silva para presidente na próxima eleição está agitando o cenário político brasileiro. Todos concordam que é a grande novidade do momento na corrida eleitoral porque quebra a bipolaridade PT-PSDB, Dilma-Serra. Outros vêem mais longe e apontam para o fato de que ela traz para a mesa principal da discussão política algo de fundamental para o futuro do país e da humanidade: a noção de desenvolvimento sustentável.

Está na moda hoje falar em "verde", ecologia e sustentabilidade. Como todas as palavras de moda, essas também acabaram se impondo sobre os discursos de pessoas - especialmente dos políticos - que estão mais interessados em acompanhar a "onda" do momento, em agradar o seu público, do que realmente modificar o seu modo de ver e agir.

Há também grupos e pessoas que radicalizam o discurso de "defesa da natureza" e são contrários ao primeiro termo da expressão: desenvolvimento. Para eles, a noção em si de desenvolvimento deveria ser abandonada porque estaria irremediavelmente comprometido com a visão industrial do século XIX-XX e com o antropocentrismo moderno que pretenderia dominar e explorar a natureza em função dos interesses humanos, e assim estaria em contradição frontal com a defesa do meio ambiente. Defendem uma economia que não busque nenhum tipo de crescimento ou desenvolvimento, mas que seja fundada somente na noção de sustentabilidade.

Entretanto, se olharmos a realidade social-ambiental, não a partir de uma visão geral e abstrata que considera o meio-ambiente e os seres humanos em totalidade, mas sim a partir de realidades dos pobres, podemos perceber que há muitas regiões em que o desenvolvimento econômico-social é fundamental para permitir que pessoas superem a situação de miséria ou de pobreza. É claro que esse desenvolvimento não pode ser entendido como um crescimento econômico que destrói o seu meio-ambiente e, com isso, as condições que permitem a reprodução da vida. Daí a importância de pensarmos a expressão como um todo: "desenvolvimento sustentável".

Há uma questão fundamental no "desenvolvimento sustentável" que não é muito discutida hoje, a noção de tempo. É mais comum debatermos a partir da noção do meio-ambiente, que já está presente, por exemplo, em Marx quando ele fala que o capitalismo, com a sua lógica de acumulação do capital, destrói a natureza e os trabalhadores, que são fonte da sua própria acumulação.

A noção de sustentabilidade pressupõe uma possível contradição entre o modo como as coisas funcionam hoje, no presente, e a situação projetada do futuro. Isto é, o fato de que o sistema econômico está funcionando bem - na perspectiva do sistema - não garante que estará no futuro. Isto é, o futuro pode ser pior do que o presente, porque o atual sistema não é sustentável a médio e longo prazo.

Essa idéia de que o futuro pode ser pior assusta (quase) todas as pessoas. Por isso, ideologias que prometem que o futuro está garantido (seja porque o progresso sempre caminha para frente, o mito do progresso, ou porque "Deus está conosco e não vai falhar" ou então porque "as energias do universo conspiram a favor da ‘vida’ e nos levará ao futuro pleno", etc.) sempre têm "ibope" alto. Enquanto as pessoas preferirem se esconder atrás dessas ideologias (seculares ou religiosas), a importância da proposta de um desenvolvimento sustentável não será entendido na sua profundidade. Ela poderá ser repetida até exaustão nos discursos ou debates, mas no fundo haverá nessas pessoas uma "certeza" íntima que no final tudo vai dar certo.

A possível candidatura da senadora Marina da Silva coloca na mesa da discussão político-cultural-religiosa duas mudanças profundas em relação à cultura moderna: a) o amor à vida que floresce e se expressa na natureza (onde estão incluídos os seres humanos); b) uma nova visão do tempo e de história, que não seja linear e nem pré-determinada, e inclua a possibilidade real de que o modo como vivemos o presente pode tornar inviável o nosso futuro. Isso exige também uma nova visão da vida humana e de Deus. Um ser humano que é realmente responsável pelo seu presente, seu próximo e o meio-ambiente, e futuro. E uma imagem de Deus que se revela no amor-solidário e que apela a essa solidariedade e responsabilidade frente ao próximo e ao meio-ambiente, mas que não garante nenhum resultado, muito menos um "final feliz" para a nossa história humana.

Mudanças profundas na cultura humana não são perceptíveis facilmente. Elas são resultado de muitas "ondas superficiais" que alteram aos poucos o movimento e a configuração das correntes mais profundas do inconsciente coletivo e da cultura. O impacto da possível candidatura da senadora revela sua chance e sua aceitação na sociedade. O que parece ser um sinal muito positivo de uma dessas mudanças profundas.


* Professor de pós-graduação em Ciências da Religião

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Sim, eu sou uma dos entusiastas com a possível candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente (2003-2007) Marina Silva, que saiu de seu cargo para chamar atenção para o desmatamento na Amazônia e para o fato de que ela estava sendo bloqueada por forças do governo para tomar medidas adequadas.
Alguém de trajetória invejável, digna, sem apego a cargos políticos que não fazem/podem fazer sua função de maneira correta.
Tá rolando boatos de que o Cristóvam Buarque pode ser seu vice. Para meu completo deleite e delírio.

Desenvolvimento Sustentável e Educação de Qualidade, juntos, numa mesma chapa. Uma oportunidade de ver o Brasil crescer (ao menos elevar o nível político nas próximas eleições).

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Adeus, Michael.



Acho q quem costuma ficar de olho em notícia já tá muito cansado de ouvir falar da morte do Michael Jackson.
Eu não sei se minha ficha caiu ainda. Eu estava com o Leão, e ficamos sabendo por msn.
Fiquei em choque e ainda estou. Lágrimas já ameaçaram rolar do meu rosto, mas eu sinto aquela sensação de quem diz "Michael não morreu", como Elvis.
De lado as esquesitisses dele, não há quem viveu os anos 70 e 80 consciente que não saiba pq ele é chamado de "rei do pop".

Eu não vivi. Mas quando eu vejo o trailer de "Thriller", e ouço "Billie Jean" ou "Beat it", não ponho em dúvida.

Para refrescar a memória:

Trailer de Thriller completo


Vale a pena ver:

Presos que o homenagearam em 2003, repetem a dose.

Moonwalk de repente. Uma cena que está se repetindo esses dias.



Momento brega: que os tormentos do final da vida dele tenham sumido.

Eu prefiro ficar com a imagem do belo negro que ele era na época de Thriller.


sábado, 13 de junho de 2009

Coral ExTraordinário


Para reflexão.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Youtube e o audiovisual

*Limpa as teias daqui*

Não é novidade para ninguém que o Youtube é uma revolução de mídia. Um site que transformou a divulgação de vídeos na internet uma coisa fácil, prática e, portanto, popular.
As diferenças de uma era pré-youtube e a era youtube na mídia são evidentes.
Soldados gravam com seus celulares os horrores de uma guerra. Famílias mostram as dificuldades por que passam depois de um desastre. Fãs postam filmes, desenhos, séries shows e tributos de tudo que gostam. Pessoas que gostam de fazer vídeos criam suas próprias séries caseiras. Estudantes de audiovisual publicam seu trabalho na esperança de um olheiro o ver.

Não iremos ignorar que o Youtube não é a cada da mãe Joana, e há censura. As vezes válida, às vezes ditatorial (a pedido de empresas ou Estados, como o pedido de Israel de tirar os video do sofrimento palestino quando eles invadiram Gaza este ano).
De fato, se fosse pela turma do Google, os espaços google seriam locais de informação democrática e anarquica. Mas o mundo não é Google.

Se eu fosse selecionar um site favorito, certamente seria o Youtube. E olha que eu nem sou uma grande usuária. Tem gente que passa dias e dias. Mas ele é o que mais me dá prazer, e o que a sensação de surpresa e satisfação são mais constantes.
Existem agora outros sites que hospedam vídeos. Alguns de videos em qualidade melhor e recursos mais sofisticados. Mas o Youtube, por ser mais popular, é sem dúvida o mais visto e tem um acervo invejável.

Tudo isso porque hoje eu tive um puro deleite com o que se encontra no Youtube, novamente.
Se trata de um rapaz que está tentando ganhar a vida, e fez uma ultra mega produção para tentar se por em evidência, agora que acabou de se formar em Audiovisual pela Columbia College of Chicago.
Ele criou um claymation (uma técnica semelhante ao stopmotion- de O estranho mundo de Jack e aA fuga das Galinhas-, mas feita de argila, que é mais fácil e menos sofisticada de trabalhar) do último livro de Harry Potter, Relíquias da Morte - ou Deathy Hallows.
Com cerca de 4h20 de filme, ele reproduziu o livro inteiro, com algumas adaptações e uma fidelidade a se ensinar para a Warner Bros.
As tosquices da técnica e da produção amadora talvez entediem alguns, mas, do ponto de vista que ele fez sozinho e que o esforço em tentar fazer o melhor possível é evidente, até a mão aparecendo para segurar a vassoura "voadora" (capítulo 5, para quem quiser rir) é encantadora.

São 26 pedaços no Youtube. Infelizmente, só tem inglês sem legenda. Confiram:
- Primeiro episódio
-O canal do cara

POr enquanto, eu vi até o episódio 6. Minha avaliação do trabalho em si:
O ponto alto até agora: transformar o pedaço de espelho em algo dado no testamento de Dumbledore, já que no quinto filme da Warner o espelho foi ignorado, e é muito importante no final.
Ponto baixo: Não sei quantos amigos ele tem, mas as vezes confunde quem está falando porque algumas vozes estão muito iguais, sendo evidentemente ele quem faz a maioria. Além disso, a amiga dele que faz algumas das vozes femininas tem um sotaque americano de irritar (como uma amante do acento britânico, é demais para mim aguentar não só um Harry Potter de vozes americanas, mas também uma Hermione que veio do Texas).

O rapaz, que só se identifica como Ryan no perfil do Youtube, é um exemplo do tipo de coisa que o Youtube permite.
Não estou sendo nada original nessa afirmação, mas o youtube revolucionou a maneira como se vê e faz vídeo. E está forçando empresas a saberem se adaptar e aproveitar disso.
É um alcance de amplitude sem tamanho. E perspectivas inimagináveis.
Nunca foi tão saboroso e democrático trabalhar com o Audiovisual.
eXTReMe Tracker